O delegado da Polícia Federal, Marcel Ahringsmann de Oliveira, é o novo nº 2 da Secretaria de Segurança Pública do Estado da Bahia, que está passando por mudanças com a nomeação do secretário Marcelo Werner, também da PF, escolhido por Jerônimo Rodrigues (PT) para liderar um dos maiores problemas da gestão petista no Governo do Estado.
Ahringsmann foi nomeado para o cargo de subsecretário da pasta com a publicação na última sexta-feira (10), no Diário Oficial do Estado. Ele substituiu Hélio Jorge Oliveira Paixão, ocupante do posto desde dezembro de 2020. Na Polícia Federal, o recém-nomeado subsecretário atuou em setores como o de Investigação e Combate ao Crime Organizado da PF na Bahia, comandando operações como a Vigilante, chegando a conduzir o interrogatório de Geddel Vieira Lima (MDB), ex-ministro da Integração.
Geddel era citado como um articulador político do empresário Joesley Batista, CEO da JBS Friboi, que era investigado por tráfico de influência junto ao governo do ex-presidente Michel Temer (MDB).
Joesley registrou uma conversa com Temer no dia 17 de abril de 2017, no qual indicou que o ex-assessor e então deputado federal Rodrigo Rocha Loures (PMDB-PR) seria o responsável por intermediar acordos da empresa com o governo. Alguns dias depois, Rocha Loures foi flagrado recebendo uma mala com meio milhão de reais em espécie.
Geddel foi interrogado em 8 de junho de 2017, na Superintendência Regional do Departamento de Polícia Federal, em Salvador.
De acordo com os registros da época, Geddel foi questionado sobre seus laços com Joesley, Ricardo Saud, Lúcio Bolonha Funaro e o ex-deputado federal e ex-presidente da Câmara dos Deputados , Eduardo Cunha. Três meses após o escândalo, Geddel foi preso quando foram encontradas malas com valor de R$51 milhões de reais em dinheiro vivo em seu apartamento, na Graça, Salvador. Seu ex-assessor Leonardo Américo Silveira de Oliveira, já havia sido interrogado pela operação meses antes, em novembro de 2016, para apurar um esquema de desvio de dinheiro destinado ao transporte escolar no município de Malhada das Pedras, Bahia, que teria causado um prejuízo de R$ 3 milhões.
Marcelo Werner disse que a chegada de Ahringsmann para a SSP é consequência lógica da troca de administração e confirmou que o órgão quer se aproximar de outras instituições de segurança pública, como a Polícia Federal, de onde ele também é oriundo.
“É natural a mudança. O subsecretário, e toda a equipe que estava lá, realizou um ótimo trabalho, mas quando a gente chega, chegamos com nossa equipe. É natural. São pessoas que estão vindo, que têm experiência também e estão alinhadas com nossas diretrizes de trabalho”, informou após o evento de anúncio da Operação Abadá, na última sexta-feira (10).
Membro da Polícia Federal desde 2005, o gestor tem grande vivência com questões internas, planejamento operacional e inteligência policial, tendo também atuado na repressão a drogas ilícitas e crimes contra o patrimônio.
Ele é bacharel em Direito pela Universidade Católica do Salvador e pós-graduado em Segurança Pública.
A SSP disse, por meio de um comunicado, que ele possui cerca de 30 cursos e capacitações, dentre eles Técnicas de Monitoramento de Redes Sociais, Técnicas de Entrevista e Interrogatório, e Difusão de Boas Práticas em Antiterrorismo. Ele se especializou em Gerenciamento e Negociação em Crises, Planejamento e Gestão de Operações Policiais, Combate à Lavagem de Dinheiro, Técnicas e Tecnologias Não Letais de Atuação Policial e Uso das Informações na Gestão das Ações de Segurança Pública.
“Garanto colocar toda a minha expertise a serviço da população baiana para contribuir com o trabalho já executado pelo secretário Marcelo Werner. Assumo esta função para somar os esforços com as Polícias Civil, Militar, Técnica e Corpo de Bombeiros Militar, além de todos os setores e superintendências da pasta”, disse Oliveira em sua chegada à SSP.