Seleção brasileira é dominada pela Argentina e perde por 4 a 1 em Buenos Aires, aumentando a pressão sobre o comando de Dorival Jr.
Com 2 minutos de jogo, o Brasil não tinha tocado na bola. Antes dos 4, perdia por 1 a 0. Ao final dos 90, uma goleada histórica de 4 a 1 para a Argentina marcava não apenas a pior derrota da seleção brasileira em toda a história das Eliminatórias, mas também intensificava a crise que se arrasta desde a Copa do Mundo de 2022. A humilhante apresentação no Monumental de Núñez, em Buenos Aires, nesta terça-feira (25), colocou ainda mais pressão sobre o técnico Dorival Júnior, que viu seu discurso de evolução desmoronar diante dos rivais históricos.
Uma noite para esquecer
Julián Álvarez abriu o marcador logo aos 3 minutos, Enzo Fernández ampliou, e Mac Allister fez o terceiro ainda no primeiro tempo. O Brasil chegou a diminuir com Matheus Cunha após erro do goleiro argentino, mas o alívio durou pouco.
Na etapa final, Giuliano Simeone fechou a goleada, enquanto torcedores locais celebravam com o tradicional “olé” a cada toque dos bicampeões mundiais.
“Tudo aquilo que nós programamos para a partida de hoje acabou não acontecendo. Eu tenho que reconhecer o que foi a partida, o jogo, o desenvolvimento da equipe adversária que com merecimentos fez o resultado. Não tivemos nenhum sentido de reação mesmo após o 2 a 1”, declarou o técnico Dorival Júnior em entrevista coletiva, visivelmente abatido.
O resultado marca não apenas uma noite terrível, mas a primeira vez na história que o Brasil perde os dois jogos para a Argentina em uma disputa de Eliminatórias. Em 2023, a seleção já havia sido derrotada por 1 a 0 no Maracanã.
Crise em números
A situação do Brasil nas Eliminatórias é preocupante. Com a derrota, a equipe caiu para a quarta colocação, somando 21 pontos em 14 rodadas — dez a menos que a líder Argentina (31), que já garantiu classificação para o Mundial de 2026.
O cenário contrasta drasticamente com o histórico brasileiro na competição. País com o melhor aproveitamento nas Eliminatórias sul-americanas (73,6%), o Brasil sempre foi soberano no continente, acumulando 84 vitórias em 129 jogos disputados.
Futuro em xeque
Nos últimos dois anos, porém, os números são alarmantes: apenas 9 vitórias em 23 partidas, com 8 empates e 6 derrotas. O retrospecto recente representa um declínio significativo para a única seleção pentacampeã mundial.
O presidente da CBF, Ednaldo Rodrigues, assistiu à derrota in loco e viu seu pedido por “duas vitórias” na data FIFA não se concretizar. Apesar do triunfo por 2 a 1 sobre a Colômbia na semana passada, a goleada sofrida para a Argentina pode acelerar mudanças no comando técnico.
“É uma derrota marcante . Eu tenho que reconhecer isso. Sei o tamanho, acredito muito no meu trabalho, no desenvolvimento de tudo isso. É um processo complicado, difícil. Mas não tenho dúvidas de afirmar que encontraremos o caminho”, afirmou Dorival, que completou: “Em todos os anos e vivência no futebol, talvez seja o momento mais delicado. Nunca desisto e sempre consegui caminhos importantes nos clubes que dirigi”.
Desde a saída de Tite após a Copa do Mundo de 2022, a seleção brasileira passou por instabilidade no comando técnico, com as passagens interinas de Ramon Menezes e Fernando Diniz, antes da chegada de Dorival Júnior, que assumiu em janeiro na de 2024.
O que vem pela frente
A seleção brasileira só volta a entrar em campo em junho, quando enfrentará o Equador, fora de casa, pela 15ª rodada das Eliminatórias no dia 5. Na sequência, receberá o Paraguai em partida ainda sem local definido.
Com o próximo Mundial sendo realizado em três países (Estados Unidos, México e Canadá), a competição contará com 48 seleções, permitindo que seis representantes sul-americanos se classifiquem diretamente, com o sétimo disputando uma repescagem. Apesar do tropeço, o Brasil segue em posição de classificação direta, mas a distância para os lideres aumentou consideravelmente.
O retrospecto atual de Dorival Júnior à frente da seleção é de 16 partidas, com sete vitórias, sete empates e duas derrotas — números que contrastam com a tradição vitoriosa do Brasil nas Eliminatórias, onde até recentemente mantinha uma sequência de 36 jogos de invencibilidade,