O Conselho Nacional de Educação (CNE) colocou em consulta pública, no dia 14 de fevereiro, uma proposta que pode mudar a forma como os cursos de Medicina são ensinados no Brasil. Mas, calma, que nem todo mundo gostou da ideia! A proposta de novas Diretrizes Curriculares Nacionais (DCNs) já está causando polêmica entre médicos e instituições da área.
Para você ter uma ideia, a Associação Brasileira de Educação Médica (Abem) não escondeu a surpresa com o texto apresentado pelo CNE. Eles afirmam que já tinham até apresentado uma proposta, construída em debates e congressos, em outubro de 2024. E agora, essa nova versão parece bem diferente do que eles esperavam.
As primeiras DCNs de Medicina foram lançadas em 2001 e, na época, foram consideradas uma revolução no ensino. A ideia era deixar de lado o excesso de conteúdo e focar na humanização da medicina, incentivando o pensamento crítico dos futuros médicos. De lá para cá, as diretrizes passaram por revisões para acompanhar as mudanças da sociedade.
Em 2014, uma nova publicação das DCNs reforçou a importância do Sistema Único de Saúde (SUS) na formação médica. Mas, segundo Humberto Castro Lima, da Abem, o texto atual do CNE parece ter dado uns passinhos para trás. Ele diz que o texto é confuso e com erros, além de desvalorizar a atenção primária à saúde e o próprio SUS.
Humberto ainda completa: “O texto era muito ruim. Muito ruim, porque ele é um retrocesso em relação, inclusive, a 2001. Tanto do ponto de vista organizacional, assim como o texto está organizado, como do ponto de vista conceitual, confunde coisas como competência e conteúdo, então, do ponto de vista pedagógico, ele tem várias falhas pedagógicas”.
E quem são as autoras dessa proposta que está dando o que falar? A atual presidente do CNE, a cardiologista Ludhmila Hajjar, e a professora Elizabeth Guedes, irmã do ex-ministro Paulo Guedes.
Agora, as instituições estão se movimentando e incentivando os médicos a participarem da consulta pública no site do MEC. A Rede de Medicina do SEMESP e a Escola Baiana de Medicina e Saúde Pública (EBMSP) já manifestaram suas opiniões sobre o assunto.
A faculdade Zarns, antiga Medicina FTC, também se pronunciou, afirmando que participa ativamente do processo e que acredita no diálogo para encontrar as melhores soluções para a formação médica. A consulta pública ficou aberta até o dia 20 de março.