O Supremo Tribunal Federal (STF) deu o aval: a vaquejada é, de fato, patrimônio cultural da Bahia. A decisão, que rolou em março de 2024, reconhece a prática como esporte e manifestação cultural, injetando ânimo na economia e cultura de várias cidades baianas.
A vaquejada, para quem não conhece, é aquela disputa onde os vaqueiros mostram habilidade tentando derrubar o boi, puxando-o pelo rabo. Mas calma, tudo tem regra! Com regulamentação, treinamento e cuidado com os animais, esse esporte tradicional do Nordeste movimenta a grana e a cultura local.
Quem explica melhor é Leonardo Almeida, presidente da Associação Brasileira de Vaquejada (ABVAQ). Segundo ele, a associação nasceu para garantir que a vaquejada fosse reconhecida legalmente como parte da cultura nordestina. “O Supremo tinha declarado a prática inconstitucional. Em 2014, reativamos a ABVAQ para defender a vaquejada e criar as leis que hoje a protegem”, conta.
A ABVAQ, que tem ligação com o Ministério da Agricultura, é quem manda no pedaço quando o assunto é regulamentar e capacitar eventos e profissionais da vaquejada no Brasil. E pode acreditar, o bem-estar dos animais, tanto bois quanto cavalos, é prioridade nas regras da organização.
Dois grandes campeonatos agitam o cenário: o Circuito Valmir Velozo (CVV) e o Campeonato Baiano de Vaquejada (CBV). A galera compete de todos os cantos do país, mas é o pessoal do Nordeste que domina a parada. E os prêmios? Chegam a valores impressionantes!
O Circuito Valmir Velozo, o maior da Bahia, tem 11 etapas por ano e oferece mais de R$ 1 milhão em prêmios. “O CVV abre as portas para o esporte e turbina a economia. Cada etapa gera empregos, atrai turistas e ajuda hotéis, vendedores ambulantes e lojistas”, destaca a organização.
É importante lembrar que nem tudo são flores. Para Pedro Rocha, representante do CBV, é preciso equilibrar a desigualdade no estado. “A gente tem que unir as coisas do estado e suas particularidades”, ressalta, defendendo uma gestão mais democrática e a divisão do sucesso entre todos.
Enquanto isso, associações de defesa dos animais questionam a decisão do STF, mesmo com organizadores garantindo que a vaquejada é praticada de forma responsável. O presidente da ABVAQ garante que estão trabalhando para assegurar a validade das leis e regulamentos, com regras claras sobre como os animais devem ser tratados e transportados, além de limitar o número de vezes que podem correr, sempre evitando qualquer ferimento.
A vaquejada ilegal é considerada crime, e a ABVAQ denuncia as irregularidades ao Ministério Público. Um exemplo foi o caso do “Circuito MS dos Amigos” em Barrocas, que sofreu intervenção do MP-BA por problemas técnicos e ambientais.
Para evitar essas situações, a ABVAQ atualiza seus regulamentos de fiscalização todo ano, com regras sobre pontuação, bem-estar animal e segurança dos participantes. Os documentos estão disponíveis no site oficial da associação.
Os regulamentos de 2025 trazem novidades, com diretrizes para contratações técnicas, medidas de prevenção sanitária e segurança nos eventos. Há também um regulamento específico para o cuidado com os animais, com fiscalização de especialistas em zootecnia e veterinária.
A vaquejada faz parte da cultura nordestina, assim como a tourada e a boiada. No sertão, a habilidade de lidar com o gado é essencial, e os vaqueiros desenvolveram técnicas para laçar e controlar os animais em meio à caatinga. A transformação dessa prática em esporte foi rápida e logo se espalhou pelo país.
“Muita gente pensa que a vaquejada só existe no Nordeste. Mas, ao pesquisarmos, descobrimos que quase todos os estados do Brasil têm alguma ligação com a vaquejada. De São Paulo a Roraima, de Minas Gerais ao Amazonas, a vaquejada está presente onde o nordestino chega”, afirma o presidente da ABVAQ.
Eventos como o Circuito Valmir Velozo (CVV) e o Campeonato Baiano de Vaquejada (CBV) atraem competidores de todo o Brasil, distribuem prêmios e geram empregos. A preparação para as competições envolve treinos intensos e viagens, movimentando a economia local e regional. Além disso, as vaquejadas são importantes manifestações culturais, preservando tradições e costumes do sertão nordestino.
Valmir Velozo, criador do circuito que leva seu nome, conta que a evolução do esporte foi grande nos últimos 35 anos. Ele começou como vaqueiro e atleta, e hoje empreende no ramo. “Quando comecei, não existiam regras. Passei a organizar corridas com horários definidos, divisão de categorias e participei da criação das categorias aspirante, amador e profissional”, relembra.
Para equilibrar a competição, Velozo implementou um sistema de índice técnico em seus circuitos, evitando que o dinheiro fosse o fator determinante. “Na vaquejada tradicional, quem tem grana leva vantagem. No CVV, o desempenho do vaqueiro é que define a categoria, independentemente da condição financeira”, garante.
Enquanto o CVV aposta em um novo modelo de competição, o Campeonato Baiano de Vaquejada (CBV) busca fortalecer a organização do esporte na Bahia. Pedro Rocha, diretor do CBV, explica que a competição nasceu da necessidade de criar um campeonato unificado. “Nunca houve um Campeonato Baiano de Vaquejada. Este ano, resolvemos chamar os principais parques com credibilidade e estrutura para participar”, diz.
O CBV também quer fortalecer a regulamentação do esporte, utilizando a pontuação da Associação Brasileira de Vaquejada (ABVAQ) e da Associação Brasileira de Criadores de Cavalo Quarto de Milha (ABQM). “Decidimos resgatar essa tradição e garantir que os cavalos possam pontuar no ranking nacional”, detalha Rocha.
Um destaque é a Vaquejada de Serrinha, considerada a maior do Nordeste, tanto culturalmente — com festas e shows — quanto esportivamente. O evento, organizado por Valmir Velozo, já atraiu 40 mil pessoas, mostrando a profissionalização do esporte na Bahia.