A festa tricolor que marcou uma época
As ruas de Salvador ganharam vida com a explosão de alegria do Bahia em mais uma conquista histórica. Nos anos 1970, os jogadores transformaram a cidade em um grande palco de celebração, seguindo uma tradição que marcaria para sempre a memória esportiva baiana.
Tudo começava logo após o apito final, no estádio Fonte Nova. Os jogadores, mal tendo tempo de vestir-se, saíam praticamente despidos, entregando uniformes para torcedores ávidos por um pedaço daquela glória. Luiz Antônio Vieira, goleiro de cinco títulos consecutivos, relembra: “Não tinha volta olímpica, não tinha como”.
Uma jornada de celebração pelas ruas
O trajeto era quase um ritual sagrado. Do túnel Américo Simas, passando pelo Moinho da Bahia, alcançando o Forte da Lagartixa, os tricolores ocupavam a cidade com sua energia contagiante. Moradores de bairros como Lapinha, Soledade e Barbalho saíam às ruas para testemunhar a passagem do cortejo.
A festa ganhava força a cada esquina. Paradas estratégicas para cervejas, conversas e cumprimentos faziam parte do roteiro. “O pessoal sabia e ficava aguardando nas portas das casas”, conta Luiz Antônio, relembrando aqueles momentos únicos de pura celebração.
Destino final: Bonfim e a consagração
A Calçada para o Bonfim tornava-se o ponto alto da celebração. Casas brancas se transformavam em pontos de encontro, com cerveja, uísque e muita alegria. O ônibus do clube, estrategicamente posicionado, esperava para levar os campeões de volta ao estádio Octávio Mangabeira.
Mais do que uma simples comemoração, esses momentos representavam a alma do futebol baiano. Uma tradição que atravessa gerações, mantendo viva a paixão pelo tricolor e pela cidade de Salvador.
A espera continua
Enquanto a terceira estrela não chega, os torcedores seguem celebrando. Nos bares do Imbuí, na Ladeira da Fonte, nas redes sociais – a festa continua, mesmo que de forma mais discreta. A esperança de novos títulos mantém acesa a chama da torcida tricolor.