O Ministério Público do Trabalho (MPT) confirmou que os 163 trabalhadores chineses resgatados de condições análogas à escravidão em uma obra da montadora BYD, em Camaçari, foram vítimas de tráfico internacional de pessoas. A informação foi divulgada nesta quinta-feira (26), após uma audiência virtual com empresas e órgãos públicos.
A BYD e a construtora terceirizada JimJiang Open Engineering acordaram abrigar os trabalhadores em hotéis até que as negociações para a rescisão dos contratos sejam concluídas. Além disso, a JimJiang se comprometeu a conduzir os resgatados à Polícia Federal e à Receita Federal para obtenção de documentos necessários, como CPF e Registro Nacional Migratório.
As investigações apontaram condições degradantes nos alojamentos. Entre as irregularidades encontradas, estavam camas sem colchões, banheiros insuficientes e falta de separação por gênero. O MPT também revelou que os trabalhadores tinham passaportes retidos, salários reduzidos e jornadas exaustivas, configurando trabalho forçado.
Uma nova audiência foi agendada para 7 de janeiro, quando será apresentada uma proposta de termo de ajuste de conduta pelas empresas envolvidas. Os locais interditados permanecerão sem atividades até regularização.